terça-feira, 5 de outubro de 2010

A conclusão é essa:

Nascemos assim. Vamos para a escola durante anos, depois trabalhamos e estudamos mais. Você sai de casa às 6h da manhã e volta às 23h, fazendo coisas que não gostaria de fazer. Eu jogaria tudo pro alto. Você jogaria tudo pro alto. A liberdade está em nossas mãos e não sabemos o que fazer com ela. Todo mundo tem potencial pra saber que as coisas estão erradas, e que tudo poderia - ou deveria - ser diferente.

O que significa "vencer na vida"? Ah, o poder! Existe uma obsessão geral pelo status. Pare para pensar nas coisas que realmente fazem você se sentir bem. Perceba que você não precisa de muito dinheiro pra isso. Mas nós queremos ganhar muito, queremos o excesso, por isso saímos de casa às 6h e voltamos às 23h. Imagine uma realidade onde você se contenta com o necessário para conquistar essas coisas que te fazem bem. Não entra na sua cabeça. Seria um esforço de longo prazo, árduo.

Considero o desprendimento material o grande começo de toda a mudança. É possível e faz sentido, apenas difícil de convencer, porque nascemos assim. Mas até quando vamos nascer assim? Um ciclo me parece estúpido, burro e primata. Mas as revoluções falharam, continuamos andando em círculos. E pensando bem, se sair desse círculo provavelmente vai acontecer uma catástrofe ainda pior.

O homem enlouquece quando acontece algo novo, quando o cotidiano é interrompido. Observe o comportamento desesperado das pessoas quando acaba a luz ou quando o ônibus vira na rua errada. A essência animal, tão clara quanto o dia. Tanta incapacidade de usar a própria inteligência impede a evolução do homem enquanto Homo Sapiens Sapiens. Me parece que o ser humano nasceu fadado à extinção. Apesar de todo o meu potencial, torço por isso. Esquisito. Acho que é essa a conclusão à qual se chega.

4 corvos bicando seu olho:

Bruno "Grilo" Dias disse...

Mto foda... eu tento pensar assim, mas cada dia q passa e eu vejo todo mundo correndo atrás d dinheiro sem pensar em mais nada, acho q eu é q estou errado... hoje em dia se vc não tem muito dinheiro, vc não é nada, mesmo q vc consiga se satisfazer com ele... todo mundo devia pensar assim

ogabiru disse...

Concordo em gênero numero e grau, mas infelizmente sou um destes que não consegue se desprender completamente deste mundo materialista. Arrisco até a dizer, que existe por trás de tudo uma grande conspiração capitalista, que tenta ao máximo esgotar nossas opções para que precisemos nos juntar a todos nesta mesma luta sanguinária sem causa, até para aqueles que buscam apenas a sobrevivência e não o luxo.

B!GH3@D disse...

É a personificação da Corrida dos Ratos... até dá pra mudar isso, mas.....

Max Wolfen disse...

“Tenho, logo existo”. Está é a máxima que delimita a incompetência da nossa percepção em sociedade. Para a sociedade baseada no comércio de mercadorias, o mundo é um cardápio à diposição para o consumo de quem pode pagar. Um universo à disposição e um desejo ilimitado pela compra: ambos predestinados um ao outro, e a separar-se, e a exasperar-se na antítese. Quando a voracidade em consumir se acentua a ponto de não só constituir nosso único propósito, mas também nossa única fé, cessamos de ser solidários com o todo: heréticos da existência, somos excluídos de poupar a destruição recíproca. Toda a vida exclusivamente materalista tem um única sucessão: desperdiçar o tempo que tanto se ocupou em economizar, e esperar, ofegantes, por um prazer fugaz que desparece no momento mesmo que se consegue alcançá-lo. Mas, libertos da fascinação desta espera, expulsos do ecumenismo da ilusão, ainda somos a seita da luxúria financeira. Afinal, o único sentido que os indivíduos encontram para suas próprias vidas é uma migalha de matéria, a que denominam patrimônio, e o orgulho de um nome próprio.

Tentemos ser livres: será uma grande afronta. A sociedade só nos tolera se somos sucessivamente conformistas e servis. É como um cárcel com vigilantes silenciosos: é preciso aparentar ser igual a todo mundo, fingindo abrir mão do irrenunciável.

Enfim...

Gostei muito do blog.

abrs,
Max Wolfen,
[msn: maxwolfen(a)hotmail.com]