quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O Som do Sol

Do alto daquele edifício as luzes da cidade e estrelas se espelhavam. Não havia diferença entre os pequenos pontos que brilhavam. Alguns sob os seus pés, outros sobre seus olhos. Ela quer voar, mas onde é o céu? E se ela tentar pular para o alto, sabe que vai cair. Mas é só pensar, que os pontos trocam de lugar. Antes que as luzes se apaguem ela estará perto de ouvir o som do sol. A simetria confunde enquanto os pés descalços pairam no ar. Lá embaixo o carro da polícia ultrapassa o semáforo, um cego sente o cheiro áspero do concreto, um cachorro treme de frio e uma senhora atravessa a rua engolindo um choro que ela não pode ouvir. Lá em cima, explosões estelares, um vácuo que grita e o som do sol, um zumbido em alta frequência que ela não pode ouvir. São apenas pontos brilhantes. Pontos de energia eletromagnética. Ou corpos celestes luminosos. E se ela tentar pular para o alto, sabe que vai cair. Mas é só pensar, que os pontos trocam de lugar. Antes que as luzes se apaguem ela estará perto de ouvir o som do sol. E se por acaso ela pudesse ouví-los. Mulher, que você esteja em casa antes que a lágrima escape e o seu grito te ensurdeça. Homem, que você caminhe mais vezes entre damas da noite do que entre este cimento que cerca as pessoas tristes deste lugar. Se por acaso ela pudesse ouví-los.
Do outro lado da cidade um menino olha para o alto e imagina qual é o som que faz lá em cima. Um zumbido em alta frequencia, um ruído que ele não pode ouvir.

Um comentário:

BrunoGrilo disse...

FODA DEMAIS!!!! Desde o título, até a ultima frase!! Impactante, forte e confuso... perfeito hahahahaha... vai dar uma letra mto boa isso aí.