segunda-feira, 26 de julho de 2010

#6

A letter to a stranger

Imagino onde esteja, viajante, e sei que a vista é bela. Sabe que eu subi todo este penhasco sozinho? Sim, queria ver um pedaço do mundo de cima. Não é magnífico? Meu amigo, se eu pudesse ser Deus agora, eu explodiria tudo isso aqui. Não sei quanto tempo se passou até você encontrar estas palavras, mas eu estou agora na beira deste abismo e aqui deixarei o que estou escrevendo sob uma pedra fria. Seguro apenas uma caneta, esses papéis que estão em suas mãos e uma garrafa de conhaque, que talvez você veja por aí. A única coisa que eu sei fazer é escrever e inventar histórias, porque da minha vida, nada pode ser dito. Eu não lembro o meu sobrenome e nem sei onde nasci. Mas sei que eu os abandonei. Eles, não sei quem são, mas sei que são, e que precisavam de mim. E eu lamento muito. Cara, agora eu vou voar, vou pular daqui e vou voar como um grão de areia. Foi isso que eu me tornei. Mas quis te escrever para te dizer, não abandone os seus, por nada neste mundo. Eu nunca imaginei o quanto eu precisaria deles, os meus, mesmo não sabendo mais quem são. Que me perdoem.

3 comentários:

Augusto Gottsfritz disse...

As vezes, você escreve como Stephen King. Só nestas cartas que estou começando a perceber.

Sério.

GiulyRocks disse...

apesar de discordar do augusto, ta ficando cada vez melhor.

:)

ogabiru disse...

"Meu amigo, se eu pudesse ser Deus agora, eu explodiria tudo isso aqui."
Entendi aquele lance do dilúvio... I got it!