terça-feira, 8 de junho de 2010

Vício

É cíclico, é um oito, não acaba. O meu dia não tem começo e não tem fim, ele não morre. Sou eu que morro sempre que permito, e o dia continua lá prontinho pra me matar quantas vezes eu quiser. A vida não se renova e se torna suja. Somos sujos, corruptos e egoístas. Esqueci das coisas que gosto, de tanto que me apego às que odeio. Eu viciei em meu ódio e agora eu preciso dele, senão eu morro. E é sempre assim, quando você está, e o ódio vai embora. É assim que você me mata, quando me afasta da sujeira, do frio, do cimento, da rede elétrica, porque eu sou uma viciada. Eu preciso da minha ração diária de ódio, distribuída em casa. Preciso dormir tarde, acordar cedo, do jejum, da cafeína, da nicotina, de ser magra, de ser workaholic, de riscar a minha pele, de sentir vontade de gritar, de odiar Deus, e tudo isso que move os sujos, corruptos e egoístas. É disso que eu preciso, e não do seu paraíso mastigado, porque com você eu sou limpa. Você é puro, é sanidade, calmaria, não é um vício. Eu não te engulo.

4 corvos bicando seu olho:

Sally disse...

aamo seus desabafos.. texto foda!

ogabiru disse...

Viva neste mundo, mas não faça parte dele!

Álan M. disse...

Creola, isso é de quando? Quero avaliar seu estado mental na época :D Show de bola

Augusto disse...

O título deste post deveria ser "Páfia".